Amor só.

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Eu só queria que você tivesse entrado na minha vida da forma certa e permanecido nela sem se preocupar com o passar dos dias, entende? Eu só queria que você tivesse me conhecido naquele almoço de domingo como o eterno amásio sonhador, me buscado em alguma rede social, trocado telefone…Eu teria gostado de sair pra tomar um chopp despretensioso, comer um sushi ou uma massa num bistrô na Vila Paraíba. Teria sido bom poder beijar você com medo, tê-lo na caixa de mensagens com medo…ter tido frio na barriga em sair por aí e mesmo assim sair. Seriam tão doces essas noites saindo escondido em busca do nada. Eu iria me emocionar, como agora, se você tivesse dito que queria me namorar, e eu, tão menino, seria o homem que você merecia. Aí a gente ia se amar, a gente ia dançar, a gente ia trabalhar por nós, íamos buscar o que antes era longe e hoje é presente. Seria interessante quebrar tantos paradigmas e tantos valores que nos bloquearam por anos. A gente se reconheceria no olhar, no sorriso, na alma. Eu te amei por tanto tempo que esqueci como posso esquecer uma pessoa que me tirou tantos versos e tantas palavras. Se eu pudesse ao menos lhe agradecer…Eu lembro que disse diversas vezes que você era um qualquer e que eu, ”Sem Muros”, não me prenderia a você e seguiria meus sonhos, mas ah, G., é tão difícil seguir meus sonhos quando você é um deles…Eu me sinto tão sozinho, tão esquecido, tão cinza dentro dessas cidades…Eu gostaria de tê-lo comigo, entende? Eu iria te amar tanto, eu iria poder dizer com a boca cheia o que é amor, eu esqueceria de tantos problemas e impropérios e ajudaria você, também, a construir seus sonhos. Eu me formaria, você montaria seu negócio, a gente teria uma casa, um cachorro, um gato, nossos móveis, nossos amigos, nossa vida…A gente teria tanta coisa se eu pudesse lhe amar e, infelizmente, à vida coube nos separar, sabe-se lá porque isso nos ocorreu…mas ocorreu. Eu já nem choro aos outros, nem explano mais o quão forte é essa tempestade aqui dentro porque você sabe, só você me entenderia. E se eu te fiz como um personagem merecedor de meu amor, é com esse personagem que eu gostaria de me deitar. Às vezes o dia demora tanto pra passar, é tão difícil, tão cheio de tempestades…Às vezes eu preparo o jantar com tanto carinho, monto a mesa pra nós dois…e você nunca apareceu. A taça de vinho sempre fica sem as manchas bordôs, o prato nunca é desenhado pra você, o salmão fica frio…E eu, sozinho, seguro sua mão em pensamento. Esse texto não é um pedido, não estou implorando por uma pontinha de amor, mas é que quando eu me abro com você, mesmo sabendo que você nunca lerá, eu me sinto tão grande, tão amado, tão querido. E esse amor é fruto de toda minha imaginação em tê-lo quisto tanto e nunca ter podido dizer mais que um olá. Já me perguntaram se é possível gostar de alguém que a gente nunca conversou, já me perguntaram se tive grandes amores nessa vida…e bem, para ambas as respostas minha mente desenha você. Eu te desenho no meu bloquinho vermelho de papel. Eu te escrevo em meus poemas mais melosos. E agora Roberto? Não…Roberto é um apelido pra bife emborrachado…E agora G.? E agora que nada! Nada! A gente nunca teve nada, a gente nunca se olhou nos olhos, a gente nunca esteve em paz. Nunca tive paz com você, mas os dias em que dormi imaginando nossa vida a dois…ah, foram os dias de melhores sonhos. Eu explano tantas palavras, tantas ideias, tanto desejo, G., pra dizer que eu não tenho mais medo de dizer quem eu sou e quem eu amo, e se um dia, no futuro, eu amar outra pessoa tão intensamente quanto já lhe amei (ou amo), eu prometo, lhe escrevo de novo.

Receba esse texto, em algum lugar no plano espiritual, e essas minhas poucas lágrimas contidas, como fruto do amor mais masoquista que já existiu: o amor que amei só, o amor deste fdp em apuros.

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Moço de preto.

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Eu só queria que você cantasse pra mim.
Eu só queria provar teus lábios com delicadeza.
Onde você mora?
Qual o seu telefone?
Me diz porque não em minha canção?
Porque olhar sadicamente como açoite?
Me diz onde você está, volta!?
Moço de preto…perdido na noite!

Matei.

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Hoje eu resolvi matar. Numa aula de Tratamento e Análise de Dados e Informações. Peguei um lápis, risquei o mesmo bloco que abriga tantas coisas escritas no meio das aulas mais desinteressantes do mundo. Contornei, peguei umas canetas de uma amiga e finalizei. No desenho estão todas as pessoas que atormentaram meus sentimentos e me fizeram escrever desenfreadamente. Talvez eu pudesse usar o tamanho de cada cabeça cortada pra mostrar a relevância, mas quanto menor a cabeça, mais preocupado eu estava com os detalhes. O machado é fictício, as palavras são machados. (Também são farpas).

Sem título

O desenho em primeiro plano, eu cortando o Mickey de saia é uma clara alusão a uma das grandes merdas que já fiz na vida. Mas já fiz. Veio uma ideia na minha cabeça: porque não criar o ”Matando o Passado”? Não sei se alimentarei-a da mesma forma que alimento esse blog. É um caso a se pensar. Ideia essa claramente inspirada no ”Matando Carpinejar”, da Cinthya Verri. Aí me veio a fala dela no Jô Soares. Aí eu respirei fundo e continuei prestando atenção na aula, eu já morri várias vezes, hoje foi o meu dia de matar.

PS.: Eu também tentei matar um dos meus demônios, afinal, nós temos vários. Mas acho que a gente tem que aprender a conviver com eles pra superá-los.

Ah, escafandro!

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E agora, homem-barco,
Onde eu atraco?
E agora, amor obscuro,
Como ficaremos no mundo?
Eu te pediria: larga e vem!
Mas eu não tenho o mundo…
que grandeza seria ter alguém!

Eu te diria: sai e vem ser comigo!
Mas as mãos eu entrelaço e oro:
-Obrigado, eu lhe tenho em aliado.
Não, eu sei que não é lado a lado,
Mas como não somos um só
Se eu carrego todo seu fardo?

Eu beijaria teus lábios,
Eu abraçaria teu corpo,
Eu seria prazer,
Eu seria o seu louco.

A gente viajaria, a gente amaria…
Eu tenho tanto pra conhecer…
Contigo eu conheceria!
E agora, escafandro?
Continuará a ser malandro?

Eu tenho um oceano de palavras
E tu tem a profundidade do significado.
Ah, candura, porque não ao meu lado?

Me diz, homem barco, pra onde eu embarco?
Me diz, escafandro, pra onde eu lhe mando?
E então, escafandro, tu diria:
Sou contigo em amor!
Ah, escafandro…
Contigo, eu mergulharia, com todo louvor!

Fim de carreira.

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Você é o fim de carreira que eu escrevi em mim com reticências. Eu quero te continuar. Eu nem sei se queria mesmo levantar em mim tal questão que promove debates calorosos em minha mente. Eu só queria que você soubesse o quanto eu tenho a te oferecer.

Tantas vezes desconjurei tal pessoa pelos atos, pela história, pela vida. Tantas vezes julguei justo haver falta de sucesso e progresso numa vida resumida em tão poucas linhas. Na verdade, eu tinha desconhecimento de caso e nunca achei que pudesse querer mergulhar tão fundo num rio desconhecido. Há pedras? Há peixes? Há água? Não sei, apenas tenho tomado fôlego para tal.

Há um abismo entre nós e eu estou buscando construir essa ponte sem que ela se quebre antes de você me ajudar, porque recusar entregar-se ao desconhecido se já o fez tantas vezes? Porque tanto medo de conhecer o que nunca conheceu? Tome fôlego, mergulhe comigo.

Você é, realmente, um fim de carreira. E eu te escrevi em mim para nunca haver ponto final…Eu quero te ajudar a continuar…

Pássaro.

Nota

Na condição de pássaro, fugiu.
Tentei buscar então, dentro do peito
Aquele mesmo barril…não encontrei.
É a ebriedade do álcool,
É a paz dentro do terror,
É como o mar circulando meu corpo…
É reto, é torto.
Quando você em meu abraço,
Quando você em meu laço,
É fogo que vai aos olhos,
É pimenta nos lábios,
É sonho.
Como Cabral em busca das índias,
Errei-me até chegar a ti,
E veja: nunca mais consegui sair.
Prendi-me a tua nau
Quis teu tesouro, quis sê-lo!
E você tomou uma decisão cabal:
Aquela de não ouvir o meu apelo.
Como abelha presa ao favo
Eu prendi-me nesse teu peito.
Mas que embaraço!
Eu sou mais alguém ao seu lado,
Eu sou um grande desrespeito!
Esse foi um erro sem precedentes
E quais são nosso procedentes
Se não eu aqui e você aí?
Eu aqui, preso, de onde não sei sair..
E você aí, livre, pássaro que foge!

Quando a caneta não acompanha o papel.

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Uma das ciosas mais tristes e, ambiguamente, mais felizes pra este que lhe escreve é querer escrever e não poder usar a caneta e o papel. O braço, dolorido por um mau jeito ao dormir, não acompanharia tantas palavras que explodem neste cérebro. Anda complicado, anda difícil.

Abro então esta plataforma virtual. Já perco as palavras. Ando perturbado com tanta coisa acontecendo em minha vida. Eu sou o eterno Senador sem parlamento que discursa mas não realiza. Porque eu não consigo aprender a desfrutar da pessoa que me tornei? Não seria eu suficiente pra mim mesmo, pro meu coração, pro meu sentimento?

Não seria eu suficiente pra mim mesmo? Repito. Repito. Repito. Diversas vezes sem resposta. Qual o propósito de insistir em investimentos furados pra buscar algo a meu bel-prazer sentimental? Sentimentos: ô racinha!

Eu não sou reflexo do que discurso ser. Eu poderia ter uma vida íntima-sentimental resolvida de tal forma a não precisar me corroer em angústia. Poder-ia, o poder não foi. Independentemente do rumo que as coisas levem, talvez um dia eu caia no clichê de dizer aos ventos que ‘eu pelo menos tentei/eu fui/da minha parte tudo está às claras’. Na verdade esse é um discurso de quem perdeu, eu tenho que discursar entre estes?

Quando a caneta não acompanha o papel, minha vida é melodrama.