O fim.

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Oliveira,

Sei que não nos devemos explicações acerca da vida. Sei também que você deve ter uma leve noção de quem eu seja, de onde nos vimos e de como nos conhecemos. Paralelo a estas circunstâncias, peço-lhe perdão por qualquer sentimento ou a falte do mesmo que esta carta lhe implique, eu apenas preciso que a leia.

Diante de um novo ano, de uma falsa ideia de que tudo mudou, meu âmago está suplicando por palavras que sejam direcionadas a você. Não sei se há razão nas coisas que o coração diz, mas se o meu entendimento pede que eu o ouça, assim o faço agora. É importante que saiba como tudo começou, o que tudo se tornou e como estou caminhando com isso. Não seria uma carta o suficiente para explicar-lhe cada parágrafo dessa história escrita apenas por mim.

Desde aquele almoço de domingo, minhas ideias perturbaram-se. Não sei o que me impediu de iniciar uma conversa, um assunto qualquer. E foi assim, estático, à primeira vista que eu me apaixonei. Já me disseram que esse tipo de sentimento não existe, que é loucura minha e que eu deveria conhecer pessoas, sair mais, diversificar minhas relações, aumentar meus círculos de vivência, me amar mais e etc, etc, etc. E quer saber? Nada faria sentido se, ao deitar-me, eu continuasse enxergando a penumbra de teu rosto estampada no teto branco do meu quarto. Teu castanho me persegue. Teus olhos castanhos abrem-se pra um caminho que nem Alice ousaria adentrar, são tempestade, são pôres-do-Sol, são esperança, são olhos castanhos enigmáticos. Às vezes assustados, às vezes desafiadores, às vezes imaturas. São teus olhos castanhos o oceano em que ouso mergulhar.

Já escrevi muito dizendo o quanto escrevi sobre a sua pessoa, Oliveira. Mas, de fato, o que isso te importaria? Será que você pararia seus afazeres, seus relacionamentos, sua vida agitada, pra ler umas palavras meio ordenadas e esperançosas de um menino distante em todos os sentidos que se diz apaixonado pelo seu enigma? Olha, uma das coisas que aprendi na vida é recolher-me em minha pequenez, e sinceramente, eu não espero que isso um dia possa acontecer.

Quero que leia essa carta e saiba que, sinceramente, eu te amei muito. E eu só posso agradecer por isso. Por ter-lhe amado tanto e rompido tantos paradigmas nesta idealização (vista como tosca) do amor, eu pude escrever tanto! E é isso que eu quero deixar explanado nesta carta: eu te amei, e por te amar, escrevi. O que escrevi? Poemas, crônicas, cartas, textos tristes, textos alegres, palavras desordenadas, poemas de 140 caracteres, textos enormes…o que importa é que você, Oliveira, foi quem me inspirou a escrever e eu, sinceramente, devo a você minha vida.

Tantas noites eu pensei tanta besteira, mas ao pensar em você…ah que luz! E eu escrevia. ”-E agora, Roberto? -E agora tu escreve!” Assim eram nosso diálogos, assim eram nossos dias, assim, na verdade, o são. E eu só posso lhe dar todo meu amor em retribuição. Não é muito, não é da melhor qualidade, não é de todo seu merecimento…mas aceita?

Com carinho, 

FDP em Apuros.

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