Quem é essa Pessoa?

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Quem é essa Pessoa
Que se esconde atrás de Fernando?
Quem é Reis, Caeiro, Campos e Soares?
Se entregaram a que mares?
Quem me garante, pois se levante, que Alberto,
louco de esperto, não fez Fernando?
Que o cruzamento entre ambos não gerou Ricardo,
E porque não ser o original chamado de Bernardo?
Álvaro já nem sei se o é. Fernando Pessoa? Quem é?
Se o visse não saberia.
Quem, na verdade, ele seria?
Verdade, mentira ou pura poesia.
Onde viveu este homem que criou,
Cultivou e controlou a vida de tantos?
Porque Fernando se desfez em tantos?
Meu Deus, estou em prantos!
A dúvida é esquizofrênica…
Fernando Pessoa é só fruto da arte cênica?
Foi-se aos 35 dos 1900
Pra ser a eternidade.
A ambiguidade do ser:
Fernando Pessoa foi quem dizia ser?
Pois se levante, o homem corajoso,
Que vai ousar me derrubar e provar
Que sou apenas um louco!
Fernando era tantos,
Fernando era ambos
Que já nem sei que Pessoa era
Ou se pra mim é só pura treva.
Meu peito putrefato
Se questiona de tal fato…
Fernando, Fernando, Fernando!
Porque és, hoje, somente retrato?
Eu tenho tanto a indagar,
Levanta-te seu controlador de vidas!
Levanta-te e traga os heterônimos!
Nem sei se foram homens ou apenas
Fruto dos teus hormônios…
Quem é essa pessoa que é tudo no que faz?
Que é lua brilhando em todo lago?
Que elimina a cada poema a dor de meu fago.
Levanta, homem covarde e me mostra tua cara!
Me mostra porque na tua escrita meu peito escancara…
Essas dúvidas…pra mim…são fortes escaras…
Quem é essa pessoa rica
Que domina o português,
Que domina o mundo,
Mas eu não sei sua verdadeira tez?
É Alberto, é Ricardo, é Álvaro e Bernardo
É Pessoa e Fernando.
É mundo, é poema, é escrita, é coração amando.
Quem é Fernando Pessoa ou a Pessoa de Fernando?
Já são mais de cem
Os frutos de sua paixão.
Quantos nomes ousou criar
Meu poeta, que é minha indagação?
Porque fizestes tantas pessoas, oh Pessoa?
Porque fizestes tantas obras, oh, sua cobra!
Porque me enfeitiça tua escrita
Se minh’alma deveria ser restrita!
Levanta-te dos mortos, esperançoso sebastianista,
Levanta-te com solo triste de uma caveira pianista.
Descobre teu rosto, me fala do teu gosto,
Me diz que sou cego, me mostra teu ego.
Porque a religião também moldou tuas palavras,
Ela, por si só, já não é um monte de larvas?
Porque disse das sociedades secretas,
se você em atitude seleta
Escolheu dizer mito, herói e tragédia?
Porque no Desassossego teu nome não está cravado?
És um covarde e destes ouro demais a Bernardo!
Quem é este Pessoa? Tem alma boa?
Sou esquizofrênico por tanta questão
E Fernando, dando a volta nas palavras,
Juntará seus muitos filhos
E eles nunca me responderão.
Levanta-te Fernando
E me diz: Quem é essa Pessoa?

 

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