Apuros.

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E de que me adiantam tantos planos se eles são planos que planejo só?

Hoje eu saí pra ir ao banco e fiquei refletindo sobre isso: ter tudo e não ter nada ou ter nada e não ter tudo? Difícil. São perguntas que venho me fazendo há algum tempo, você que me lê, e não as respondi tão cedo. Nem sei se as responderei com tanta facilidade se há nelas tamanhas dificuldade.

São coisas que me ferem o coração e movem o cérebro. Estar em todos os lugares querendo estar dentro de um peito só. Ter todas as coisas querendo ter um coração só. E que coração haveria eu, um Zé, de ter? Vejamos que tamanhas conquistas em minha vida pra essa pouca idade se deram em meio a diversos impropérios e na maioria das vezes na boa e velha cagada. Caguei e passei no vestibular. Caguei e arrumei amigos. Caguei e me dei bem em algumas matérias. Caguei e cheguei aqui. Será que vou ter que me arriscar ao método das cagadas para chegar em algum lugar? Outra questão.

Uma questão é diferente de uma pergunta. Aprendi numa aula de Políticas Públicas: a questão levanta debate, a pergunta levanta respostas. Desde o ano passado eu venho na busca incessante das mesmas, que pra mim, se resumiam num único nome. Hoje eu sei que dificilmente eu terei esse nome ao lado do meu num tronco de árvore, e eu digo difícil pra não dizer ‘impossível’. Esta dor é lágrima ácida que escorre sobre a pele.

Eu poderia não ter nada. Eu poderia ser um Zé atrás de um balcão, um Zé bolsista numa faculdadezinha qualquer, um Zé ninguém numa cidade de Zé’s. Eu poderia ser tão comum, mas tão comum a ponto de passar despercebido. Eu poderia ser um ‘qualquer um’ se eu pudesse ser ‘qualquer um’ com ‘aquele um’. Aquele um quem? Não sei.

Meu Deus, quantas questões! Pontuemos o que, de fato, me aflige: eu não tenho ninguém…e isso é pior que ser um Zé. Depois que fui pra São Paulo isso passou a me afligir mais ainda. Eu conheço várias pessoas, metade delas tem alguém e metade da metade está se ajeitando com alguém. A outra metade é como eu. Eu não tenho ninguém porque meus amigos não têm a obrigação de estar vinte e quatro horas por dia ao meu dispor. Eu não tenho ninguém porque minha família tem sua rotina. Eu não tenho ninguém porque eu sou chato, uso palavras escalafobéticas, gosto de cozinhar pra dois, gosto de sair e escrevo poesia. Quem escreve poesia hoje em dia? Aliás, quem lê?

Me aflige, você que me lê, não ter quem leia minhas poesias e diga o quão retratantes elas são de nós. Eu busco incessantemente as palavras, as pessoas, os sentimentos…e eles colocam-se num comboio em fuga. ”Oh, meu Deus, o fdp em apuros, corram, corram, corram!” E eu já não tenho mais forças pra correr. Eu queria entender essas coisas da minha vida. Eu vejo tanta gente que não sabe nada e ama intensamente…será que é esse o custo? Não saber nada para saber apenas uma coisa? Outra questão, outra questão, mas que diabos, outra questão!

Fica difícil, a cada dia mais, sair desse emaranhado. Eu escrevo poemas sobre pessoas que não lerão, que não me pertencem, que não serão minhas. Eu escrevo textos pra desabafar e acabado mais abafado. Eu sou uma eterna contradição que, pelo sim ou pelo não, permaneço em apuros. Socorro.

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