Desgramado Preto.

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O Preto no beco
Era tão preto…
Desgramado Preto!
Era tão escuro,
Mais preto que a sujeira
Que empretejou o muro do beco.

Pretasso, azul, zulu.
Preto desgramado.
”Preto sim, mas não do meu lado”

Preto suado.
Preto acabado.
Preto pastor.
Preto deputado.

Ele é Preto e eu sou branco,
Ele é rancor e eu sou acalanto.
Ele não gosta de gay, e eu? Bem…
Ele não gosta de negro, porque ele é Preto!

Preto mais preto
Que olho preto de boi preto.
Preto careta, vê defeito em tudo.
”-Tem que ter religião!
-Tem que ter filho!
-Tem que ter família!”

Êta Preto indecente,
Esse Preto, coitado, é preto mas é gente!
É Preto de zóio claro, é Preto loiro,
É Preto rico, é Preto da Oeste.
Mas nada disso me impede de explanar:
Ele é Preto, Preto de enojar!

Ele num samba,
Ele num é baba,
Num sabe cozinhar,
Num sabe trabalhar,
Num sabe ser feliz.
Preto que quer brincar de herança,
Que quer gastar cinquenta pau ali,
Cinquenta pau aqui…
É Preto que num agrega valor,
É Preto que num é gente…
Não basta ser Preto, ele é indecente!

Esse Preto não quer cota, não quer Bolsa
Quer tirar quem tá lá na Esplanada,
Esse Preto tem saudade da ”ditabranda” e sua espada.

Preto desgraçado!
Preto que diz que tudo é do diabo!
O viado? É do diabo.
O negro? É do diabo.
O ateu? Ah, é do capeta!
Esse Preto…esse sim:
Tem que tomar na tarraqueta!

O caboco tem que se fudê,
Esse preto? Rerere…
Por suas palavras vai morrer.

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