Chorinho.

Padrão

Há momentos em que a gente para pra ser perguntar até onde os sacrifícios são necessários pra busca da felicidade. Ora, se o ponto final é a ‘felicidade’, há mesmo a necessidade de sacrificar algo em prol da busca? Fazendo um contraponto, às vezes eu preciso pegar metrô lotado, correr contra o tempo e conseguir uma passagem de volta pra casa: sacrifício em prol de uma felicidade momentânea.

Acho que nunca estive, de fato, preparado pra sair de casa e levar uma vida boêmia desenhada com a cabeça sobre o travesseiro. Mudar a paisagem do teto do meu quarto para a paisagem do quarto no qual eu residiria era muito mais fácil até quando, de supetão, eu tive que fazer essa mudança. Mas no fundo, no fundo, não é de todo mal essa distância toda: meu cachorro passa dias com saudade de mim e não puxa minhas roupas do varal, apenas quer brincar; tenho algo de novo todas as semanas pra compartilhar com os amigos e familiares; tenho um descanso merecido em meio a áreas verdes que são as mesmas desde quando meus bisavós nasceram. Ter tudo isso, em doses homeopáticas, é como não ter nada.

Parece muito agradável viver em São Paulo quando os dias passam rapidamente e num segundo eu já estou findando a semana. É loucura, é depressivo. Porém, poucos entendem (ou entenderão) aqueles que assim como eu tem de deixar seus lares em busca de melhores condições, não pra si, mas para aqueles que acreditaram no nosso sonho.

Que bom seria se meu lar fosse ao lado da minha casa!

Bairro de santo.

Padrão

Com nome, sobrenome, endereço em bairro com nome de santo. Essas coisas que são comuns de terras interioranas. Uma casa sem vista privilegiada, meio gelada, é verdade, mas espaçosa e acolhedora. É ali o seu refúgio.

Já eu me refugio aqui, numa casa em metragens quadradas que são metade da sua, com apenas um cachorro ao fundo latindo antes aos seus vários e em bairro com nome de santa. É aqui meu esconderijo aos finais de semana.

Parece que negar sentir a sua presença dentro de mim só me faz percebê-la em todos os momentos nos quais eu olho pro lado e não tem ninguém. Negar você é tão torturante quanto os anos em que neguei ser quem eu sou. Me faz falta inscrevê-lo nas coisas que escrevo. Me faz falta começar com estrofes de raiva e terminar pedindo perdão…Mas que erro tão fatal eu teria cometido?

Veja bem, é justo que todos os dias eu olhe pro celular esperando uma mísera mensagem de um número que eu não sei qual é? É justo que eu me apegue à tristeza buscando um sorriso que nunca se abriu (ou abrirá) pra procurar o meu? Se justo for, eu quero as explicações. Eu quero elas como forma de chave que abre minhas algemas, que abre minhas correntes e me livra de um amor que não é amor. Que me livra de um masoquismo sem tamanho e entendimento. E houve, neste mesmo blog, um boato de que eu havia me livrado do apuro que você se tornou…Falácia!

E é nesta plataforma virtual que eu tenho a humildade de despir-me e deixar de ser ”Vossa Excelência Senador da República Philippe Gama” pra me tornar só mais um fdp entre tantos apuros. Só mais um na linha vermelha. Só mais um na linha safira. Só mais um dentro da USP. Só mais um futuro-Gestor de Políticas Públicas. Só mais um nesse mundo cruel em que nos puseram em tão distantes posições e, repare, tão próximas também.

Entenda, meu caro, que o franquismo com que lhe falo é típico dos que uma hora não se aguentam e explodem. E eu estou explodindo por dentro. Não é ódio, não é raiva. É uma tristeza que vem consumindo aos pouquinhos, entende? Poderia ser eu e você naquela mesa, naquele chopp. Poderia ser eu e você desenhando um plano de vida. Poderia ser eu e você dando banho nos nossos cachorros. Poderíamos ter sido tanta coisa, mas nunca fomos nada senão meros cumprimentos.

Eu quero explicações sejam elas de você, sejam elas da vida, sejam elas de Deus, Ogum, Krshina, Buda…Eu as quero como chave, eu as quero como sempre te quis, para que, enfim, eu não seja queimado por suas fagulhas.

A minha ferida, G., tem nome, sobrenome, e endereço em bairro de santo…