Alvo.

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Eu sou o que eu sou? Eu sou o que eu tenho? Ou eu sou quem eu sou? (Ou pareço ser?)

Parece que a gente nunca responde tudo que tem pra responder, a vida é assim, cheia de perguntas sem respostas e eu, na maioria das vezes, tomo o posto das interrogações pra ser o eterno enigma dilemático redundante e hipérbole que sou. Eu sou tudo isso?

Nunca consegui guardar minhas crises internas, e externas, pra mim mesmo. Como futuro estadista preciso aprender a segurar um sorriso no canto da boca e dizer que a economia, a saúde e o coração do país estão bem. Na verdade, eu sou um feudo que se abre às vezes pra explanar tudo o que tenho. Se é que tenho algo.

Incontáveis vezes já viraram pra dizer, logo após um texto descritivo sobre minha situação:

-Mas Philippe, veja bem, meu amigo: Você faz USP, você mora em um apartamento legal, você tem pais sensacionais, você tem tudo o que você quer. Pra quê o lamento?

É como se a gente vivesse eternamente numa manobra capitalista pra mostrar quem somos: eu sou aluno da universidade tal, moro num apartamento assim, e tenho isso. Eu não sou um resumo do que eu tenho, do que eu vivo, do que eu conquisto. Ninguém é.

O problemas de relacionamentos que engatinham pra um abismo? Deixa pra lá, você mora em São Paulo! As dúvidas frequentes sobre ser real ou não, acreditar ou não, no que há de melhor nas pessoas? Deixa pra lá, você gosta do curso que faz! Esticar os braços com as mãos nos joelhos, abaixar a cabeça e lamentar as respostas negativas que a vida dá? Deixa pra lá, você faz USP.

É como se essa minha condição (morar em SP, fazer USP, morar num apartamento bom e ter pais legais) não pudesse conviver com essas dúvidas de um pré-pré adolescente que ainda vive em um projeto de Senador. ‘Deixa pra lá, Philippe! É só uma manobra capitalista pra repetir clichês, pra cair na dúvida que as pessoas tem em relação a você e desviar o seu foco dos propósitos.’

Ora, eu sou um escritor sem leitor. Um poeta sem amor. Um estadista sem vida política. Um Senador sem mandato. Eu sou a maior manobra que o capitalismo já fez. Eu sou a dor dos que não sofreram, o choro dos que só sorriram, as chagas dos que não apanharam. Eu sou um monte de sofrimento, e eu só posso dividi-lo com as palavras, que ainda não resolveram fugir do meu cérebro.

Eu não sou um futuro Gestor de Políticas Públicas que não se interessa por discursos extremistas. Eu não sou um duro crítico de oposição e situação. Eu não sou cheio de complexos. Eu não sou uma manobra do capitalismo. Eu não sou cínico. Eu não sou amor. Eu não sou cheio de sonhos. Eu não sou sorriso no canto da boca.

Eu sou o alvo do mundo, e o mundo não cabe aqui.

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