Puxado pela perna.

Padrão

Nem escrever mais eu consigo, tamanha a explosão de sentimentos dentro de mim. Parece que por trás desse corpo há um milhão de eu’s querendo dizer algo por uma só boca. Não consigo organizar a briga interna.

Eu me sinto sozinho, e essa solidão fere. Fere porque ela não é entendida por ninguém, nem por eu mesmo. Fere porque quando eu quero explaná-la na busca de um consolo, os discursos são sempre os mesmos clichês. Sempre as mesmas ladainhas de que eu tenho que me desprender, que eu tenho que sair sozinho, me dedicar, correr atrás e etcs, etcs, etcs. Quem me vê, me sabe. E eu faço tudo isso, todos os dias. Ninguém me vê, ninguém me sabe.

Parece que todas as tentativas de voltar a ser o que era, e não deveria ter deixado de ser, são vãs. São fracas. Só eu me dedico a projetos megalomaníacos que não vão dar em nada. E todas as vezes que eu digo que não titubearei e serei concreto pra que não haja uma próxima vez, soam como os mesmos discursinhos clichês que fazem a um culpado sem saber o porque dele cometer o crime.

A vida me puxou pela perna e tem arrastado minha cara no chão todas as vezes pra me mostrar que, assim como feto e criança, continuo sozinho e perambulando pelo mundo atrás da minha última parada. Já nem sei onde estou e o que busco. Eu sou o comediante que faz piadas pra ninguém rir, o palhaço que faz criança chorar, o equilibrista que cai.

Eu sou o garçom que segura a bandeja com vários copos, mas não encontra sequer um cantinho pra colocar o seu. Não há espaço. Me sinto como se fosse aquele monte de quinquilharia que a gente acha no meio da faxina, coloca numa caixa e joga num quartinho no fundo do quintal pro caso de um dia precisar usar de novo. Se é que terá alguma utilidade de novo.

A vida me puxou pela perna, e dói. Assim como essa solidão. A vida tem me puxado pela perna, mas culpado que sou, não vi quantas glórias ela já me deu. Nossa, que mal-agradecido! Eu deveria era levantar as mãos pro céu e agradecer! Mas não posso, a vida me puxou.

Estou numa ida sem volta, em apuros, e o filho da puta sou eu, buscando a última parada. E pelo visto ela não terá cartaz de boas vindas.

 

Cada dia mais eu me convenço de que na verdade nós não gostamos de determinado momento, pessoa ou lugar. Mas da maneira como nós os vemos e formamos uma imagem que não existe ou que talvez elas não são, nos encantamos pelas coisas que nós criamos e não pelas que realmente são. É como um brinquedo velho que enquanto criança nós somos fascinados, mas no momento certo e em dada hora da vida, você retira ele do fundo de uma caixa e percebe que não tem mais graça nenhuma, os carrinhos já não andam mais, os bonecos estão desmembrados e as pessoas, bom, as pessoas se vão junto com as ilusões que você projetou sobre cada uma delas. Essa é a vida.

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