Onde Judas perdeu as botas.

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Meus olhos buscam, em vão, tentar encontrar em ti algo de mim. Busco e não vejo, ando caçando redemoinhos para ver qual deles acabará, ou me deixará de vez, no caos.

Leva contigo pedaços de mim, resquícios dos melhores momentos que vivemos. Se deleite com a vida na qual escolhera viver. Sobre a vida? Sobreviveremos. Quem sabe uma vez ou outra morreremos, de novo, e nasceremos, de novo.

Não há no fundo dos olhos aquilo que um dia fez parte de minhas pupilas. Sumiu sem deixar rastros. Queima aquilo que te resta de mim, renova-te a cada dia. Busca na vida a tua pedra, busca no mundo a tua coroa.

Encontro em ti algo que nunca foi meu, e nem será, porque de tantas metamorfoses fica em mim aquilo que já não é. Petrifiquei os momentos que deveriam virar fotografia, somente as teias de aranha tecem os rumos agora.

-Culpado! Culpado! Culpado!

Sussurra em meu ouvido a culpa de ter partido sem dar adeus. Estou fadado a levar dentro de mim o peso de ter que, forçadamente, esquecê-lo, amor meu. Estou contando agora, dentro dessa prisão em que me colocaram, os dias que vivo a tomar doses homeopáticas do veneno do esquecimento.

Dói. Já não suporto ter que viver escorando-me nos corrimãos da vida. Judas enforcou-se tão somente por culpa. Pesa em mim a mesma, e se, como dizem, ele perdeu as botas ninguém sabe onde…Perdi meu coração. Onde ninguém sabe.

-Onde está seu coração, Philippe? 

-Perdi. Onde Judas perdeu as botas. 

-É assim?

-Todas as vezes.

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