Negue a tragada.

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Quando eu pedi pra você me encontrar, você se perdeu. E dentro de mim, no fundo, algo tremeu pedindo socorro. Eu já me rendi como tapete ao chão. Tolo.

Eu não nego o meu querer, o meu desejo que vai além da carne e consegue urrar da minha alma. Me consome dia a dia o sentimento. Você, como acendia os cigarros antes, tem me tragado pra dentro e se isso tornou-se um vício, eu quero ser a tua cura. Porque a cada vez que você traga, o meu querer aumenta. E se há câncer que nos mate, que ele se manifeste. E se há cura para nossa dor, que nós a encontremos.

E se eu não nego meu querer, negue a tragada. (Por favor, amor).

Negue sugar-me dia a dia sem saber que a nicotina que sou, é pouco pra saciar tua carne. Que não sou charuto cubano. Sou mera mercadoria paraguaia. Negue acender o isqueiro do meu amor, negue acender-me. 

Eu lhe peço, sonho morto, morra de vez. Pare de estrebuchar dentro de mim. Negue viver. Negue a tragada.

Negue o olhar que entra nos meus olhos e busca o que há de podre em mi, negue me controlar. Negue, negue, negue. Negue para que eu aceite de bom grado o que é pra ser meu fardo. Negue para que eu, enfim, aceite meu desespero. Negue sua indiferença. Negue sua palavra. Mas não, não negue que eu te amei como sonhara e nunca tivera. Não negue que eu tive pra ti tudo, mas recusaste.

Não negue que por tempos eu fui tua nicotina, mas por ora, negue a tragada.

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