Passarinho.pt 2

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E já com as pernas medianas, o menino não corria mais atrás de bola. O sol tapado pelas nuvens não lhe dava perspectiva de um bom dia. Olhou pela janela, sentiu um vento frio e ouviu o balançar da árvore que de longe parecia tão seca. Ah, que dia!

Saiu pela porta e caminhando encontrou-se à beira de um penhasco. Olhou pra baixo, olhou pra cima. Ouviu então uma música que pra ele era diferente. Soou em seu ouvido uma música que ora era voz, ora era sinfonia. Olhou pra cima.

O sol se abria para sorrir, ele então audaciosamente contradizendo às teorias dos avó apontou o indicador para a estrela maior. E veio rasgando o vento e pousou ali, o seu passarinho.

Poderia ser um entre tantos, poderia ser um igual àquele outro, mas fitando os olhos do menino, que encantado sabia, passarinho dizia…era o seu passarinho.

-Meu passarinho!

E passarinho voou, mas não para longe de seus olhos, voou para onde tinham flores de diversas cores, voou para onde as árvores davam frutos. Voou o passarinho dando-lhe uma nova perspectiva de olhar.

-Que maravilhoso é isso, passarinho!

E passarinho cantava. Era seu, ambos sabiam. Passarinho entendia-lhe. Passarinho então voou, foi além dos seus olhos, mas deixou ali o menino de pernas medianas. Era um mocinho, era dono do passarinho.

Mais que ousar ser cruel e prender o rubro pássaro em uma gaiola, o menino entendia: passarinho ia, mas passarinho permanecia. Quando em dias nublados, passarinho voltava. Permanecia com o canto que nunca se calara em seu coração…

-Meu passarinho!

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