O podre adubou.

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É como abrir um livro e encontrar todas as páginas em branco, o pedido é claro: redija-me.

E nas canetas corroídas pela ansiedade vão se desenhando as palavras que saem do pulsar do meu coração pra ponta dos dedos, tum tum tum…faz-se a minha frase, o meu discurso.

Que prefácio? Não há o que dizer de uma história que mal começou sem previsão de roteiro, fazem-se os capítulos conforme os dias, conforme o sol e a lua. Dependendo da visão que eu tenho das estrelas, fico mais apaixonado. Se peço ao pôr do sol, fico mais esperançoso.

Metade de mim é amor, a outra metade é loucura também. Como?

Não há entre os cantos as mesmas faces e sonoridades irritantes daquele tempo, tudo se foi, assim como eu. Já não ladram os cães no portão, já não ouço o córrego, poluído, correr debaixo dos meus pés. Tudo é silêncio, tudo é velocidade.

Nada é voo livre, é tudo preso demais ao chão. Oferta-se coração, ganha-se silêncio. Dos sorrisos mais amarelados, não há a brancura daqueles que deixei na promessa da volta.

Ainda vive o amásio, ainda permanece o forte, ainda seguem-se os passos e do úmido das lágrimas ressurge a cada dia a esperança de desabrochar a partir dali as sementes  dos bons frutos.

As sementes que as podres adubaram. O podre, mais uma vez, me adubou.

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