Indago.

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Mas tu que contrastou meu amor…
Quão rude fostes,
De tanto não pereceras?

De tão pouco foi muito
E nós embriagados de acasos
Fomos além dos nossos passos.

-Nosso tolo sentimento não,
Nosso puro sentimento!

Fora nosso alimento na noite,
Colheita do inverno, e
Paz na guerra.

E sempre a cura da febril tormenta.

Mas perecera o nosso sentimento,
No entanto, não haveria também vencido?
Instigo teu peito e procuro,
Não há fundo neste vasilhame?
Quisera eu encontrá-lo,
Indago-lhe, engulo-lhe, enrolo-me.

Não haveria eu vencido?
Não haveria tu?
Não teríamos nós vencidos os nós?

Indago.

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Exceção minha.

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E nessa confortável distância abrimos um enorme abismo entre nós, já não há data marcada, já não há visita inesperada. Há adeus, porque você é minha exceção e excedendo amor eu me despeço, amor.

Estou partindo na busca incessante da minha parada, já não é você, sou eu. Sou eu e um mundo me chamando pelo nome e sobrenome, me entregando credenciais e liberando catracas, sou eu que estou partindo, sou eu que estou dizendo que não dá mais.

Não há motivo pra conviver com teu fétido amor, com teu olhar negro, com tua falta de expressão. Não mande notícias, não responda as cartas, não venha. Fique, fique e releia minha letra trêmula, fique e entenda que não é você, agora sou eu e o mundo.

Sou eu sozinho, de novo, indo atrás, de novo, dos meus sonhos, de novo. Você é e sempre será a pessoa pra quem abro exceções, pra quem desmonto minhas teses e desconserto minhas frases…você é a exceção do meu coração, a exceção da minha palavra, é o ardor do meu peito, é a voz que me levanta, é o adeus que me faz chorar, é a minha partida, é a minha chegada, é o meu tudo no meio do nosso nada. Você, minha maravilha, é a exceção do meu sentimento.

Você é (e sempre será) minha morfina, minha droga, meu passaporte e meu sonho. Você é a minha única exceção, mas a vida segue pra nós e se o acaso, o rei de todos, nos encontrar de novo? Não sei, eu só preciso acreditar nos meus caminhos.

Aqui vou eu. Adeus, exceção minha, amor meu.

Fragmento.

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E quando eu digo adeus, meu peito é fragmento. Me perdoe tanto lamento, o bem é inevitável e um futuro próspero e brilhante vindo a nós, quão grande é essa dádiva? Seca minhas lágrimas em teus dedos finos e brancos, engole teu choro, segura meu peito. Nessa sequência de expressões de sinceridade eu sou criança e você é adulto. Quando nossos corações se encontram no abraço, ambos somos iguais, pequeninos em tamanho, gigantes em sonhos.

Vá, ternura minha, leva contigo os fragmentos de mim.

Vento.

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Há de ser sincero, há de ser profundo.

Tão profundo e visceral foi meu desejo que eu consegui chegar ‘lá’, encontrei a minha parada. A primeira. Degusto agora de uma paz nunca antes saboreada por estes lábios, tão bom tirar um caminhão das costas e saber que consegui carregá-lo até o final. Não há dor,  há feridas de lugares diferentes cicatrizando, a pele se refaz assim como eu.

Meus sonhos já não têm hora pra acabar, ando nas histórias imperfeitas perdidas entre os grãos de areia. O céu me atrai bem mais que o chão, bato asas sem me cansar…vou voar pra minha luz.

Chegou a hora de acreditar mais ainda no desconhecido, esquecer as aflições e buscar o certo e o incerto, quebrar a cara algumas vezes, perder uma rodada pra ganhar as próximas e sentir ao me deitar o conforto real do travesseiro.

Tu és vento Philippe, tu és vento! E se os novos objetivos traçados são complicados, que o sentimento seja sincero e profundo, que seja olho no olho e dente rangendo.

Eu sou vento. Eu sou forte. Eu sou ar. Eu sou infinito.

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Quando me perguntavam o que eu fazia ano passado e eu dizia ‘cursinho’, sentia uma certa repulsa por parte das pessoas. Eu fiz e quase desisti, mas não consegui deixar de lado um sonho que sempre tive. Cheguei lá, consegui fazer um feito inesperado até mesmo por mim: fui pra segunda fase da Unicamp e Fuvest e fui selecionado na UFABC, uma das melhores federais do país. Não estou na primeira chamada da USP, mas não teria eu vencido? É claro que venci e fico feliz, que loucura seria ter que escolher pra qual delas ir. Obrigado equipe (amigos, professores, familiares, colegas de curso), porque essa vitória não é só minha, é nossa. E começou o sonho de ser internacionalista e lecionar. O futuro é clichê, o futuro a gente faz agora!