Sem alarde.

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Eu volto quando o vento me fizer voltar, tenho um milhão de estrelas só pra me guiar…

E a todo vapor eu vou invertendo as ordens nessa coisa chata e monótona que é a vida, eu vou sentindo falta do que era, do que foi e do que vai já pra sofrer por antecipação. Ah, como eu sou precavido! Vou dando adeus ao barulho da água batendo na parede do banheiro de manhã, da panela fazendo ”shh shh shh’ pra cozinhar o feijão.

Eu estou em mar aberto e as ilhas e fortes se distanciam. Eu era forte, hoje eu sou veleiro. Eu sou levado pelo vento, eu sou forte, eu sou livre pra ir..ir..e ir. E mesmo que eu volte, ainda estarei indo pra algum lugar. Fortes são estáticos, são pontos turísticos, são guardados em álbuns de fotografia e não pelas sensações que passam. Forte…está ali parado, com uma luz limitada e sendo ponto de segurança. Eu quero me arriscar. Tu és vento Philippe, vento!

E as razões pra que eu queira angustiar e sumir no horizonte são claras e evidentes: eu preciso. Eu preciso ir e encontrar águas calmas, tormentas, ver diferentes paisagens e diferentes náufragos. Eu quero nadar nessa imensidão de incertezas que a vida é e sair respingando alegria. Eu quero mais ‘talvez’ pra mim e mais certeza dos outros.

Eu quero sentimento, eu não quero aventura. Eu quero momento, eu não quero fotografia.

Estou deixando pra trás as rebarbas de mim e indo por inteiro ao desconhecido. Adeus olhar que me segura, adeus olhar amedrontado, adeus olhar triste.

Estou indo sem aviso prévio. Sem alarde.

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