Víbora.

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Víbora!!!

Maldita seja tua gestação, malditos sejam teus passos, maldita seja a tua herança a este universo…víbora maldita! Me atas num olhar com um rosto angelical? Víbora!

Víbora que me envenena, que me cura e me mata de novo. Porque o fazes? Víbora, que era pra ser só minha e não é. Nunca foi. Me diz, porque?

Porque haveria eu, oh céus, de encontrar novamente o mesmo olhar que me prendeu há tempos atrás? Destino? Sorte? Azar? Amor. Um misto de tudo, sua víbora.

Porque o fazes, meu amor? Assim como a Capitu não bastavam árvores e paredes, queres o mundo também? Eu lhe dou, eu sou Casmurro. Eu sou amásio. Toma pra ti ouro, bens, imóveis, rumos. Toma pra ti o que tenho, toma pra ti meu amor, meus sentimentos. Víbora minha.

Dói. Muito. E eu tolo achei que havia me curado, não se cura dores sentimentais não é? Porque? No encontro repetido duas vezes teu olhar me acorrentou e me impede de querer ir longe? Porque prende minhas asas? Porque limita meu voo, controla meus atos, fixa meu sorriso e não dizes uma palavra? Víbora. Porque me lacrimeja se não és poeira ao vento?

Meu amor tornou-se mar, nadei e você encontrou uma nau. Me seguiu. Me pegou. Me capturou de novo e eu estou me redimindo de tudo o que lhe disse, eu nego. Sim, nego que lhe esqueci, que não lhe quero mais, que foi tudo vão e que é passado. Eu aceito a maior das verdades, eu lhe escrevi em minha história com caneta de ouro e sem correção, e tu? Sequer quis um período de citação pra mim. Víbora.

Eu aceito as verdades que teu olhar impõe e embora tua estatura seja menor que a minha, eu aceito víbora, aceito que você ainda vive em mim e que meu jardim já não floresce mais, só morre. Assim como eu. Me deixa voar víbora. Me deixa amar outras pessoas, outras almas.

Eu não compreendo se há algo que nos prenda nessa situação, se há peço a quem quer que seja que me explique. Eu lhe quero e não entendo tamanho desejo, tamanha gana. Víbora! Que feitiço me jogaste? Víbora!

Eu te amo, sim. Não no passado, não no futuro. Eu te amo em todos os presentes da minha vida, a cada nascer e a cada pôr do sol e mais envergonhado que homem desnudo em praça pública, eu assumo.

Eu te amo, minha víbora que não é minha. Me liberta, eu suplico.

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