Sem alarde.

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Eu volto quando o vento me fizer voltar, tenho um milhão de estrelas só pra me guiar…

E a todo vapor eu vou invertendo as ordens nessa coisa chata e monótona que é a vida, eu vou sentindo falta do que era, do que foi e do que vai já pra sofrer por antecipação. Ah, como eu sou precavido! Vou dando adeus ao barulho da água batendo na parede do banheiro de manhã, da panela fazendo ”shh shh shh’ pra cozinhar o feijão.

Eu estou em mar aberto e as ilhas e fortes se distanciam. Eu era forte, hoje eu sou veleiro. Eu sou levado pelo vento, eu sou forte, eu sou livre pra ir..ir..e ir. E mesmo que eu volte, ainda estarei indo pra algum lugar. Fortes são estáticos, são pontos turísticos, são guardados em álbuns de fotografia e não pelas sensações que passam. Forte…está ali parado, com uma luz limitada e sendo ponto de segurança. Eu quero me arriscar. Tu és vento Philippe, vento!

E as razões pra que eu queira angustiar e sumir no horizonte são claras e evidentes: eu preciso. Eu preciso ir e encontrar águas calmas, tormentas, ver diferentes paisagens e diferentes náufragos. Eu quero nadar nessa imensidão de incertezas que a vida é e sair respingando alegria. Eu quero mais ‘talvez’ pra mim e mais certeza dos outros.

Eu quero sentimento, eu não quero aventura. Eu quero momento, eu não quero fotografia.

Estou deixando pra trás as rebarbas de mim e indo por inteiro ao desconhecido. Adeus olhar que me segura, adeus olhar amedrontado, adeus olhar triste.

Estou indo sem aviso prévio. Sem alarde.

És adeus.

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Quando fui medo, fostes terror.
Quando fui chegada, fostes partida.
Quando me encontrei, te perdestes
E quando era nulo, fostes exagero.
Quando busquei, fugistes.
Quando li? Não ouvistes,
E disse muito, e ouvistes pouco.
E quis muito e fugistes muito.
Pedra fui, chute fostes.
Quando fui ternura,
Quando fui amor,
Quando fui abraço que acolhe,
Beijo que esquenta e fé que movimenta…
Fostes tu, não fostes nada.
Fostes medo, não brigada.
Quando fui fogo, fostes água e
Quando água fui, não sentias mais sede.
Se não te sou por completo,
Me tens com pouco afeto
E se sou exagero…me mandas pra um bueiro.
Quando sou amor,
És rancor.

E quando sou despedida,
És adeus.

7 Adeus.

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E eu já nem sei se nessa história eu sou espectador ou ator. Se sou vilão ou mocinho. Se somos nós ou apenas nó.

As fotos estão rasgadas num chão de puro cimento, a água não penetra nenhum pedaço mas leva todos, que seja pro bueiro da saudade.

Há quanto perseveramos por sonhos diferentes e andamos por caminhos diferentes. Já não sei onde é meu lar, ele não é onde está você ou sua voz. Que seja em nossas canções, que seja onde esteja meu coração. Que haja coração  pra estar em algum lugar.

Se fazemos e vivemos diferentes vidas, eu lhe digo adeus e lhe permito ir, lhe permito fugir de uma cela que nunca lhe prendeu, de um coração que nunca foi seu. Eu estou indo amor, pra longe, amor.

Eu estou lhe dando o meu abraço mais triste e choroso, eu estou partindo pra um futuro que você se recusou a seguir comigo. Eu nem lhe convidei. Eu nem lhe disse quais eram os planos, eu nem ousei e errei. Perdoa, amor.

Eu já nem sei se mocinho ou vilão são os títulos do roteiro que me deram, talvez eu tenha sido coadjuvante e te deixado dançar sobre meu palco.

Vivamos, nessa história eu não sei se sou plateia ou elenco. Adeus amor, adeus 7.

Tu és grande.

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O futuro começa aqui, ou ali. A gente o faz agora. Nesse momento.

A cada segundo há um momento pra recomeçar, pra voltar atrás ou pra seguir em frente. Eu caí e achei que nunca mais iria me levantar, eu me reergui, retomei as rédeas dos meus caminhos e segui. E segui pra longe.

Eu fui forte em aguentar cada bordoada da vida, cada palavra que vem como flecha, cada olhar de reprovação e eu conseguir ir além do que eu queria, além do que desejava, além da expectativa alheia. Hoje eu consegui. E eu consegui um, dois, três ou mil sonhos infantis de uma vez só, porque a minha ambição é a de conseguir tudo o que eu julgo ser meu com ombridade, com fé e com justiça.

E eu fui justo. O mais justo dos injustiçados e ainda o sou e sempre serei, é a minha natureza. E minha natureza também faz de mim vencedor porque de onde vem minha força, também vem o meu aconchego, o meu carinho, a minha fé. E aqui estou, no pódio sendo aplaudido em pé, com as cortinas vermelhas se fechando e o público extasiado. Eu venci. Que novas histórias comecem no meu palco.

Que novos cenários sejam minunciosamente pensados, repensados e produzidos. Que o figurino esteja sempre intacto, que o texto esteja na ponta da língua e mais do que tudo isso: que eu consiga ser estrela na escuridão, que eu seja água na seca e sombra no deserto. Que eu seja eu e mais do que isso: que eu seja o meu sonho.

Venci, e que eu continue vencendo. É impossível ser feliz sozinho, vencer também. Obrigado universo, eu sou vencedor.

Tu és forte Philippe, tu és grande!

Falsa Idade.

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Eu estou cheio das falsas idades
Tu me diz que tem mais de dezoito
Mas ainda chora por um pacote de biscoito.
Falas de tua maturidade,
Mas ela é tão pouca perto de tua idade!
Compras álcool ao invés de comida
Mas não sabes o caminho de ida.
Eu estou cheio da tua falsa idade,
Do teu rancor e teus pulos para além.
Eu quero alguém firme,
Eu não quero um neném!

Desenhos infantis.

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Estou próximo da minha parada, talvez não seja a última, talvez seja a do meio do caminho, ou seria essa a primeira? Nada sei.

E olhando pra trás eu vejo que eu fui forte. ‘Tu és forte Philippe, tu és forte.’ E quanto eu superei pra chegar onde cheguei? Pra tocar o que tenho tocado e sentir o cheiro da bonança vindo?

Grande é meu peito que cabe o mundo, gigantescos são meus pensamentos, meus planos, meus desejos. E maior ainda é a minha vontade de persegui-los um a um e matá-los sem chance de último desejo. Estou indo atrás dos meus desenhos infantis, dos meus sonhos e minhas metas que ainda são pequenas, há algo maior ainda e eu não decifrei.

Estou buscando colocar ordem no lápis de cor forçado no papel branco, estou colorindo as formas e desenhando um caminho que não se limita a uma folha apenas…sabe-se lá quanto papel será preciso pro desenho dessa minha história, estou a postos pra riscar quantos forem possíveis.

Eu estou indo e onde houve erro, onde houve falha e onde houve (muita) dor, eu não passo borracha…escondo. Um dia talvez eu precise me lembrar do que foi preciso ou os motivos pelos quais naquele momento tudo esteja daquela forma.

A busca continua, continuemos desenhando.

Paft, Poft, Pow.

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Paft, Poft, Pow!
Perna pro alto, tapa na cara.
Olho roxo, cabeça na calçada!
Paft!
Sanguinho na boca,
Dente no chão.
Fogo nos olhos,
Agulha no coração.
Poft chuta, poft muta.
Chuta, bate, levanta.
-Apanha, sua anta!
Pow, pow, pow
Mas que tormento é o
Paft Poft, Pow!
É só a razão
batendo no sentimento.