Retrospectiva pt. 1

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E quando eu penso em 2012, penso em três d’s: desafio, depressão, desapego.

Penso porque pra esse ano não estipulei metas claras, todas muito vagas mas bem planejadas no meio de tanta bagunça. Comecei o ano na esperança dos meus dezoito anos, dos meus sonhos mais altos que estão ainda em curso, na esperança de que tudo mudasse.

Tudo não mudou, alguma coisa sim. Foi tendo um ânimo gigantesco em fevereiro que cheguei até março e ali disparei até o meu dia, tão reservado, tão especial, tão meu. Dezoito de março, dezoito anos. Ah como eu esperei, como eu quis estar ali com meus amigos fazendo qualquer coisa que fosse e como eu me decepcionei. Talvez eu leve mágoas que não valham uma pena inteira, mas que pra mim, sentimental que sou, valha alguma coisa. Passou, mas marcou, talvez o show de rock, as caipiríssimas e a professora me abraçando tenham sido o band-aid que segurou a ferida que às vezes dói, mas passa. Eu pude conquistar o mundo ali, nos meus dezoito anos.

E foi passando os meses e minhas amigas foram conquistando, em pouco tempo todos éramos senhores de nós mesmos. Talvez esse tenha sido o ponto chave deste ano: nós pudemos conquistar o mundo e tentamos como nunca antes.

No meio do ano, nessa terra árida, brotou a esperança de que enfim eu pudesse partir novamente, não pra selva de pedra, mas quem sabe pra cidade maravilhosa? Brotou a esperança e pisotearam-na. Fiquei, junto de um misto de angústia. Não viajei, não revivi a mesma semana de janeiro no Rudge Ramos, houve um show e um pouco de bebida, não dos melhores e mais épicos, mas houve. Dona Maria se foi, chorei por minha bisavó antes do que eu imaginava.

A vida ou a morte que são surpreendentes?

Agosto, ah que mês! Tive uma das maiores surpresas desses meus dezoito anos, não que não pairasse a dúvida, agora veio a certeza e as angústias alheias que se tornaram minhas. Desmoronei. Caí bonito, de cara no chão, beijei o asfalto e senti o sabor do fundo…me senti inferior ao que eu de fato sou. Chorei muito neste mês tão longo e ainda guardo, com certa ressalva, flecha que vem do dicionário.

Setembro surgiu como um broto novo de esperança, retomei as rédeas, domei alguns leões e consegui lidar. Fui em frente até despontar em outubro. Ali foi dramático, talvez mais um pouquinho de flechas pra este alvo tão robusto. Não as quebrei, guardo pra um dia olhar e ver que fui forte. E eu fui, afirmo sem a menor humildade, outra pessoa cairia. E outubro levou os doces desta criança, veio novembro.

Como temi novembro e seus finais de semana, seus vestibulares e seus resultados! Ai! Temi, mas foi rápido. Mal tinha passado as quatro horas e meias de prova e  já era segunda, num piscar de olhos eu estava em outra prova. E assim fui fazendo e assim ele foi passando, rápido e sem muito alarde. Criei expectativas.

E dezembro foi dor, um pouco. Talvez por saber que perdi a Unesp que tinha ano passado, ou por perder o que tive e já estava indo. Dezembro foi interessante, ganhei USP, Unicamp, 900 de redação no enem, ganhei presentes e ganhei a lição da vida que a gente deveria saber na pré escola: desapegue-se. Desapeguei do que nunca foi meu, do que nunca era pra ter sido, do que me fere. Desapeguei porque eu mereço um mundo que está ali, em janeiro de 2013 e eu não posso enfrentá-lo em meio a tanto transtorno. Desapeguei, sim, desapeguei depois de ter sido deixado do lado da caixa de bombom. A vida corre e vivê-la a fim de fazer o melhor pros outros é bobagem, ninguém pensa em reciprocidade nos dias de hoje.

Desapeguei de 2012 e suas tristezas e seus 3 d’s. Eu tenho um mundo pra viver longe daqui, comigo mesmo, com o moço do espelho e pra fazê-lo é preciso voltar a nau pra um outro norte. E lá vamos nós, faltam dois dias, eu sei, mas reservei um pras coisas boas do ano (sim, tiveram algumas) e outro pra me resguardar das palavras.

Foi escrevendo muito que errei demasiadamente, queimemos as cartas pra que não haja recordação. 2013, espero surpreender-lhe.

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