Meu presente.

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E no meio das palatáveis onomatopeias natalinas, fez-se silêncio em mim. Recordo-me do momento de abertura dos presentes, porque abrir se agora você não se faz presente?

E abrindo a trinca é que toda a represa que há dentro de nós se rompe inteiramente, forçando as barragens e mostrando que os gestos transformados em palavras ou sentimentos fazem-se fortes quando desejamos. E fizeram-se fortes as palavras que correram dentro.

E em nós? Nada houve, sequer encontro de mãos que se tocam e não se laçam, ou um abraço que mistura perfumes e coloca cabelos em atrito, não houve olhar que fixa. Houve distância.

E se me perguntam quantos presentes vieram pela minha chaminé,  se não valem as coisas materiais é claro que não ganhei nenhum. E eu ainda lhe espero, embaixo da minha árvore, em papel vermelho ou dourado, aquele das lembranças, dizendo-me as temidas e (porque não) tremidas palavras.

Nesta festa capitalista, no meu presente infelizmente não há você. E duvido que haja em um futuro.

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