Meio termo.

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E silenciou-se a noite quase fria, quase quente. Tão meio termo quanto todas as peças daquele jogo, ambos não entendiam, riam e locomoviam-se. Pra onde? Não sabiam, apenas seguiam. E no adeus fez-se começo. E no abraço fez-se moradia.

Os olhos quase verdes e quase mel se fecharam, quem pode me dizer pra onde foram? Não se sabe. As mãos grandes envolviam os fios meio castanhos e meio vermelhos. Consumou-se o momento, porque? Não sabiam também, tudo era sem resposta.

E ali, naquele momento nós não sabíamos o que fazer e porque o fazíamos. Era noite, era dia. Era tarde e era manhã. Tudo era em poucos segundos…tudo era e tudo se foi, nas asas do vento. Foi-se tudo em pouco tempo. Não entendo quão sem lógica foi o momento, a hora, o local, a circunstância. Se me perguntam, é meio desdenhosa a forma que respondo, é…foi. E foi, e não volta? Não sabemos.

Naquela despedida fizemos começo pra mim e final pra ti. Comecei sozinho a matutar, a planejar, a fazer mil e uma coisas…nenhuma completou-se e eu lhe entendo. Entendo seu medo, entendo sua presunção, seu orgulho, sua má fama. Eu entendo e não enxergo em ti o que outros enxergam, roubaste meus olhos? Entendo que não nascemos pra sermos ‘nós’, talvez ‘tu e eu’ entre tantos nós. É óbvio que se eu pudesse escolher, certamente você não entraria em minhas opções, mas a vida é assim mesmo…misteriosa, surpreendente, ela é você em tudo e em nada.

Suponhamos que esteja bem…eu também estou, comecei e agora eu vou terminar. Estou olhando por ti, não sei como ou porque…somos tão meio termo né? Quando seremos completos? Entendo sua aflição, seu medo, entendo os motivos pelos quais sente-se uma pessoa engrandecida…mas não entendo a vida.

Vivi crendo no futuro, no amor, na existência. No momento, nos segundos e nas coisas mínimas. E você fez-se tão grande dentro de mim. Não digo que amo, não digo que gosto. Digo que lhe quero bem, pois no momento em que nos fizemos ‘nós’, desatamos alguns nós e nos prendemos em outros muitos.

Nunca faria maldade alguma a ti, tampouco cometeria a insanidade de amar-te. Perdoa, superarei. Deixemos de ser meio termo, é hora de sermos completos.

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