Carinho, Diabo.

Padrão

Olá, você aí.

Sei que não me conhece como eu gostaria, tampouco sei o tom que tua voz consegue alcançar. Não sei se vira criança quando se une ao elo que nos mantém de certa forma em uma ligação não direta. Eu viro, e talvez continue sendo assim.

Sei também que há um abismo entre nós. Um não, dois. Um deles transforma-se na forma de tempo e dez anos a mais que eu você segue seus caminhos e eu aqui, ainda criança. Ao menos na tua visão. O outro deles existia, conseguimos tapá-lo e por fim transformou-se em Alameda. Aliás, não sei pra qual delas mando esta carta, se pra das alegrias tuas, meus rancores ou se pra alameda em que você se situa por poucas horas de sono, a única que conheci.

Espero que compreenda que esta carta não é de amor, e nem de desamor. Talvez esteja aí, rindo. Consegui pelo menos um dos meus projetos pra uma vida toda, ainda que não como deveria. Se está em silêncio, melhor assim, preste atenção e ouvirá meu peito bater à tua janela. Dessa vez não serão os cachorros. (Sei também que gosta de animais).

Me pergunto o que você tem de tão misterioso, indecifrável e secreto. Não sei, assim como também não entendo essa coisa de ‘outras vidas’, se as vivi e ainda viverei outras, porque nesta? Acho que mais do que um pequeno elo de seis anos, temos algo nos unindo, ou não. Posso estar falando baboseiras o suficiente pra que rasgues este papel, não o faça, lhe peço. Minha insanidade às vezes se descontrola mesmo, os que são próximos já se acostumaram e naqueles velhos desenhos você também compreenderia. Enfim. Acho que lhe devo uma, ou duas, ou três milhões de coisas pra fazer, ou pode ser ao contrário. Será que vim lhe cobrar uma dívida e acabei pegando a promissória errada?

‘Philippe, você merece um amor que dure a vida toda, que cause inveja nas pessoas, sua hora chegará’. E não chega. Rodeio tanto por esse mundo e no fim paro no meu favo, meu amargo favo. Por mais que digam, sei que mentem…são humanos e assim como eu e você, acham que entendem de psicologia e por tal entendimento sem embasamento eles dizem as palavras que se fazem necessárias. Mas não se encaixam no quebra-cabeça que é meu peito.

Eu lhe escrevo, favo meu, pra perguntar se entendes o que acontece: se sou insano mesmo, se há uma ligação, se sabes quem sou, se assim como eu já está me achando louco, demente. Eu lhe amei, confesso. Aliás, eu amo, o sentimento nunca morre e talvez por não morrer de vez em quando dá uma estrebuchada dentro de mim. E dói.

Tenho feridas demais meu favo, perdoa a choradeira e o mimimi que não lhe cabem. Cabe a nós poucas palavras, como sempre coube. Se o diabo anda à espreita por aí fazendo maldades aos outros eu não sei, talvez nessa minha vida eu seja o dito cujo.

É, o diabo sou eu. Diabo masoquista.

Perdoa, eu lhe amo, eu não tenho nexo, eu não sei ao menos lhe escrever.

Favo meu, aliás, meu não. Favo, apenas…até logo, obrigado pela leitura em vão.

Carinho, Diabo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s