Da janela do ônibus.

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Da janela do ônibus eu vejo: eu, você, eles, aqueles, aquelas, os lugares. Sinto: os cheiros, os toques, os sabores. Só que tudo passa rápido e minha miopia me cega. Passou uma vida e eu já cheguei ao meu ponto final. Que me importa? Tudo.

Me importa o pedido não atendido também, mas se ele não foi atendido talvez seja porque não se fazia necessário. Ou desfez-se? Quem sabe? Ao menos eu pedi.

Tenho amado em demasia e que diferença tenho feito no mundo? Exato, nenhuma. Aliás, sentimento muda algo enquanto se vive? Talvez depois que a gente se vai pra algum lugar, a gente começa a se reconstruir, a montar peça por peça um quebra cabeça que nunca termina e aí sim o notam. Nós morremos sem terminar o que tem que ser feito. E eu me pergunto o que tem que ser feito!?

Não se sabe, eu acho. Me sinto o pequeno neto perguntando um mundo a uma avó que mal terminou o primeiro grau escolar, mas que entendia da vida mais que muita gente letrada. Foi preciso que em meio a tanta escuridão somente ela acendesse a lamparina: ‘Deixa estar, meu neto!’ Meu neto! Só dela e que se danassem os outros avós, eu era só dela, talvez um empréstimo aos demais, mas exclusivo dela. E hoje eu deixo estar e o mundo agora é só meu enquanto sou só da minha avó.

Eu deixo passar pela janela do ônibus um mundo, mas que é só meu. ‘Deixa estar, meu mundo!’ Meu mundo! Só meu, e que se danem os outros muitos bilhões…é só meu, só seu, só nosso, só de quem ergue os ombros pra peitá-lo e dizer que ele é quem precisa de nós, a gente morre cedo demais pra não mandar num pedacinho de terra, de decisões e de conflitos.

Eu tenho amado, mas de que me importa? ‘Deixa estar, meu sentimento!’ Aguente firme aí, segura na minha mão e sigamos, eu sei como está difícil, como tem sido complicado, conflitante e como vai passando rápido…mas deixemos estar, uma hora algo vigora ou morre. Os melhores morangos saem do esterco, e daí? Ainda são morangos!

E é engolindo o orgulho um pouquinho que o que foi acaba voltando sem o mesmo motivo pelo qual não permaneceu, a gente não entende esse caleidoscópio que é a nossa alma…mas a gente se esforça vai! A gente tenta. E os que nem isso?

Ter hora, data, local e convidados pra um enlace? Quem não? A vida é muito curta e nos leva de ônibus desde que os olhos se abram até o dia em que se fecham definitivamente, que eu consiga pegar o máximo dela da janela desse ônibus. Injúria? Ódio? Inimizade? Descaso ao pedido? Desamor ou falta de? Que passem, eu quero você, eles, elas, aqueles, aquelas, os lugares, os cheiros, os toques e os sabores.

Da janela do meu ônibus a vida passa e o vento bagunça o cabelo, ah, o danado do vento! Deixa estar, meu cabelo, meu vento!

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