Tornou-se mar.

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Quão vago é indagar-me frente ao espelho da alma: meu amor tornou-se mar ou córrego?

Quão curta é a vida que não responde tudo? Porque o espelho é inanimado?

Às vezes percebo a infinitude do meu amor nas palavras, no gesto, no puro sentimento, na quantidade do olhar ou até mesmo na profundidade do mesmo, porque me afogar nesse traiçoeiro? Talvez pelo prazer de buscar as forças no âmago e bater os braços, nadar até encontrar a minha praia, alimentar o masoquismo natural até encontrar a minha parada, a minha fogueira. Onde fica o fogo que aquece, que arde, que transforma e que é limitado? Longe do meu mar…

Longe desse mar que contrariando todas as leis desse planeta desemboca num córrego de silêncio, de amargura, pequeno mas fétido. Água suja, quem desta beber muito não viverá. Mas porque insisto em tocar meu barco, em mergulhar nesta água e ficar na foz entre o meu infinito e as minhas feridas?

Quanto tempo ficarei nesta indecisão de ir ou permanecer, de querer de fato ou de desfazer-me do desejo por simples medo de ir. Medo? Porque tanto medo? Eu construí castelos, perdi outros tantos, trilhei rotas e ainda tenho medo? Quantos dragões a gente não mata por dia pra conseguir chegar à noite e deitar a cabeça sobre o travesseiro e ouvir o zum zum maldito daquele pernilongo que pica a perna, o braço, às vezes o rosto e a gente dando tapas no escuro não o encontra. No outro dia o incômodo da coceira, até os dragões surgindo. A gente só tem paz se a gente quiser matar os infinitos dragões e fazer do zum zum música.

A gente só tem paz limitando-se a não ouvir o zum zum da noite, ou o estalo dos eletrodomésticos. O sofrimento é fruto da nossa massa cinzenta, às vezes ele pode ser fruto de um mundo todo que não cabe dentro de nós, às vezes é guerra dentro do nosso mundo interior.

A vida deve prosseguir e meus castelos talvez não mais desmoronem, eu arquiteto mil coisas sem a menor probabilidade de acontecer, mas também arquiteto um forte que me dê segurança, meu amor tornou-se mar e eu não quero ser náufrago. Eu sou forte.

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