João de barro, eu não lhe entendo.

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Procuram entender o João de Barro pra guardar o amor…tolos, amor se perde?

Em minha insuficiente sapiência entendo que não se vai, não se esquece, não se perde. Se vive, e se vive até o fim de ambos os protagonistas desse filme que ora é terror, ora é romance, mas no final não acaba passando de uma comédia, afinal, sentimento não morre, ele sempre fica lá. Sempre há um resquício em forma de lembrança pra nos dizer que não, não foi em vão, ficou ali e ali permanece a certeza de que algo foi aproveitado, de que pelo menos uma semente foi germinada, de que pelo menos uma lição se tirou. Amor não se perde assim como se perde sei lá….um recibo de supermercado. O amor não tem valor.

O sentimento ao qual me refiro, o amor puramente poético, esse fica e fica pra nos dizer que fomos pedra, fomos aconchego. Fomos rocha e fomos areia. Fomos…já não somos. Fica pra nos dar a esperança de querer que um dia as borboletas voltem a tomar conta de ambos os estômagos…mas não, elas não voltam. E nós, na função de pássaros, de livres passantes, devemos encarar a vida do outro como a nossa vida, as decisões do outro como nossas também. Se apenas um lado tomar os remos é certo que cairemos num círculo vicioso do qual nunca se sai, do qual se espera chegar a um norte incomum…é preciso que os remos sejam tomados de ambos os lados do barco.

E se nesse meu barco, apenas eu tomo os remos, que eles sejam substituídos. Que coloquemos as velas. Coloquemos? No plural? Sou homem lançado ao mar sozinho na embarcação, consertemos: que as velas sejam colocadas, meu ego! E assim seja feito. Que os ventos soprem pra um norte comum, pois o sentimento não morre…fica ali estrebuchando esperando que possamos salvá-lo, mas sabe qual é a verdade? O bom é deixá-lo no vale dos aflitos. Novos amores, novas vidas, novos passantes e novas rimas toantes surgem a todo momento, é só não ouvir o clamor do sentimento que não foi forte o suficiente pra sobreviver esse tiroteio que é a relação humana.

Nós não sabemos nada, na verdade, ninguém sabe. Todos loucos querendo sanidade, todos famintos querendo comida. Todos sofredores querendo amor e todos amados querendo sofrer. Nós não morremos dentro dos outros, nós permanecemos lá estrebuchando também…afinal, nós somos o sentimento com a salvaguarda de que também somos um pouco fênix e se quisermos podemos nos salvar…pra colocar mais reticências nessa história e ir longe com nossa embarcação, o sentimento não morre e se ele se salvar ele vai nos gritar, e tolos que somos nós voltamos. A esperança, essa nunca morre mesmo.

João de barro, eu não lhe entendo. Para de guardar o amor, viva-o…ele não morre dentro de você.

Ai tristeza!

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Tristeza, vai embora.
Por favor não entre mais
Por essa porta!
Ai tristeza,
Maldita,  azedou a torta!
Eu já lhe disse minha tristeza,
Vá embora.
Sei que você ignora
Mas o teu olhar sisudo não me apavora
Se é senhora não lhe respeito,
Não lhe quero aqui em meu peito.
Minha vida pra você é rasa,
Por favor tristeza…

Ai tristeza, vaza!

Estrelas Contadas.

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Quando as contadas estrelas param, o céu repara em nós,
Ambos equidistantes, ambos a sós.
Se tua gota forma meu oceano, meu oceano pra ti é o que?
Amor, ódio, compaixão…o que sentes? Estou à mercê.

Se do alto vive a Lua a iluminar nossos caminhos,
Estamos aqui…presos em nossos ninhos.
No meu deserto és o Oásis, ou o Camelo que me guia?
Seja o que quer que seja, seja minha Alameda vazia.
Quando o Favo não adoça meu bico infeliz
Bem Te Vi, bem te quis, adeus minha flor de lis.

Quando o céu repara em nós, desatemos… estamos a sós,
Meu braço cabe o mundo, também lhe cabe em um segundo.
Quando as horas, tão respeitadas senhoras, rodeiam
[e não passam…..
Acalmemos, os bons sentimentos um dia nos laçam.

Se estamos em rotas opostas, encontramo-nos de costas
Se não soma, some. Se não some, soma…oras bolas!
Quando o anseio não cabe ao peito, o mundo escurece-se,
Minha alma então, ao pensar em ti, me engrandece.

Se és o Camelo que anda sobre a areia quente…
No amor eu já sou descrente. Não há Alameda que me guia,
Nem Favo do qual eu me embebedaria. Não mais.
O conceito sempre se desfaz.

O Bem Te Vi? Leva meu ouro, deixa meu amor.
Não há rancor numa vida intrépida. O amor é réplica.
Guiemo-nos na Ursa Maior ou na Menor,
O céu repara em nós…mas continuamos a sós,
Presos em ninhos, engaiolados passarinhos.

Quando as contadas estrelas param, o céu repara em nós,
Cada dia mais nos prendemos aos nós, não a nós
Se tua gota é meu oceano…não me afogue, nem ignore..
Amor, ódio, compaixão…não sentes…consigo perceber.

Perde favo.

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Vai meu favo. Fica meu favo. Vem meu favo. Por onde anda meu favo?

Andando pelas alamedas que escolheu, e cá entre nós…foi o melhor caminho. Sinceramente, me partiria saber que dividi duas almas que nasceram pra se encontrar nessa vida enquanto for preciso. Se os olhos brilham, é porque de fato têm bons motivos.

Eu pedi, eu disse, eu implorei, mas quer saber? Não é a hora. Não nasci pra andar nas alamedas apertadas, me confinar a um só mundo, a uma só rotina, a uma só opção que responde a tudo. Ah, eu nasci pro mundo, eu nasci pra me envolver com diferentes rotinas e responder a mesma pergunta de quantas formas forem possíveis. Eu nasci foi pra bater asas, não pra tê-las como artefato decorativo.

Eu vou alçar meus voos enquanto eu conseguir, mesmo que sejam tão curtos quanto os passos do meu favo. Não serão tão doces quanto, eu sei, mas serão mais altos. Planarei até ter forças os suficiente para bater asas cada vez mais forte e chegar onde quer que seja. Eu não nasci pra migalhas, eu nasci pros excessos.

E foi excesso de amor, que hoje entendo necessário, que me fez ter uma concepção diferente da que tive antes. Eu não sou complemento de alma. Ao menos da que desejei por tanto tempo. Eu sou alma completa e nessa função busco outra para que possamos levar brilho aos que não o enxergam, música aos surdos e voz aos mudos. Que eu consiga em um raio menor, para que a experiência faça de mim homem sábio, homem de valores, homem de honra e quando o meu voo seguir raios maiores e ter uma abrangência infindável, aí sim, estarei pronto pra ter o amor da minha vida. Pra voar em companhia.

Ainda penso, ainda sonho, ainda sou eu aqui dentro, eu mudei mas ainda sou a mesma contradição, mas meu favo é das alamedas, apenas…eu sou dos céus, das luas, do sol, do mundo, do infinito. Eu nasci pra eclodir, fica em paz meu favo. Fica em tua alameda que os pedaços de mim não te ferem. Eu nasci pro céu, não pro chão.

Da janela do ônibus.

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Da janela do ônibus eu vejo: eu, você, eles, aqueles, aquelas, os lugares. Sinto: os cheiros, os toques, os sabores. Só que tudo passa rápido e minha miopia me cega. Passou uma vida e eu já cheguei ao meu ponto final. Que me importa? Tudo.

Me importa o pedido não atendido também, mas se ele não foi atendido talvez seja porque não se fazia necessário. Ou desfez-se? Quem sabe? Ao menos eu pedi.

Tenho amado em demasia e que diferença tenho feito no mundo? Exato, nenhuma. Aliás, sentimento muda algo enquanto se vive? Talvez depois que a gente se vai pra algum lugar, a gente começa a se reconstruir, a montar peça por peça um quebra cabeça que nunca termina e aí sim o notam. Nós morremos sem terminar o que tem que ser feito. E eu me pergunto o que tem que ser feito!?

Não se sabe, eu acho. Me sinto o pequeno neto perguntando um mundo a uma avó que mal terminou o primeiro grau escolar, mas que entendia da vida mais que muita gente letrada. Foi preciso que em meio a tanta escuridão somente ela acendesse a lamparina: ‘Deixa estar, meu neto!’ Meu neto! Só dela e que se danassem os outros avós, eu era só dela, talvez um empréstimo aos demais, mas exclusivo dela. E hoje eu deixo estar e o mundo agora é só meu enquanto sou só da minha avó.

Eu deixo passar pela janela do ônibus um mundo, mas que é só meu. ‘Deixa estar, meu mundo!’ Meu mundo! Só meu, e que se danem os outros muitos bilhões…é só meu, só seu, só nosso, só de quem ergue os ombros pra peitá-lo e dizer que ele é quem precisa de nós, a gente morre cedo demais pra não mandar num pedacinho de terra, de decisões e de conflitos.

Eu tenho amado, mas de que me importa? ‘Deixa estar, meu sentimento!’ Aguente firme aí, segura na minha mão e sigamos, eu sei como está difícil, como tem sido complicado, conflitante e como vai passando rápido…mas deixemos estar, uma hora algo vigora ou morre. Os melhores morangos saem do esterco, e daí? Ainda são morangos!

E é engolindo o orgulho um pouquinho que o que foi acaba voltando sem o mesmo motivo pelo qual não permaneceu, a gente não entende esse caleidoscópio que é a nossa alma…mas a gente se esforça vai! A gente tenta. E os que nem isso?

Ter hora, data, local e convidados pra um enlace? Quem não? A vida é muito curta e nos leva de ônibus desde que os olhos se abram até o dia em que se fecham definitivamente, que eu consiga pegar o máximo dela da janela desse ônibus. Injúria? Ódio? Inimizade? Descaso ao pedido? Desamor ou falta de? Que passem, eu quero você, eles, elas, aqueles, aquelas, os lugares, os cheiros, os toques e os sabores.

Da janela do meu ônibus a vida passa e o vento bagunça o cabelo, ah, o danado do vento! Deixa estar, meu cabelo, meu vento!

Amando o presente.

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Ah mas hoje eu nem me lembro de ser errante, hoje eu me lembro que fui, sou e mereço sempre ser feliz, mereço amar ser feliz. Hoje eu estou amando o presente.

Me desligar de um mundo e entrar em outro mundo menor e momentâneo, sair de um lugar e ir pra outro, passar por lugares, situações e ao final rir de tudo. Chegar ao meu horário de repouso sem forças, mas não por depressão ou qualquer intempérie do tipo, apenas por ter empregado energia no que de fato mereceu.

Eu nem me lembro que antes de ontem eu era um poço de amargura (que secou). Entrou dentro de mim uma enxurrada de coisas boas, de alegria, de abraços e de risos. Entrou em mim um amor muito grande e saí das grades que criei. E é um amor estranho, pela vida, pelas coisas, pelos momentos, pelos risos e por poder falar o que vem à minha mente, seja física quântica ou uma notícia do Ego.

Hoje eu estou amando demasiadamente as aberturas que a vida tem me dado e aproveitando-as excessivamente, porque mesmo que eu perca uma ou duas batalhas, aprendi a viver no fio da navalha e por isso não me é interessante olhar pelo viés de viver em vão enquanto escorrem oportunidades da minha mão e porque prendo meu olhar aos extremos próximos. É hora de pegar nas rédeas mais firme e fazer o meu rumo, não andar pelos já criados.

Hoje eu acordei amando as batalhas que perdi ou posso perder, porque a gente sempre aprende, mesmo que demore. O erro dos otimistas é não enxergar o que pode dar errado, porque só conseguimos nos preparar pra tormenta quando a antevemos.

Chegou a hora de ser maior que as muralhas? Não, chegou a hora de amar o que de fato merece ser amado, essa hora já passou e agora é correr contra o tempo, a vida está passando. Vivamos e aproveitemos as aberturas, um novo horizonte acontece a cada dia. Hoje eu estou amando aprender a viver. Hoje estou amando o presente e apaixonado pelo futuro.

Bem aventurados os que não sentem.

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Bem aventurados os que não sentem…

…O amor, o carinho, o frio na barriga. A vontade de fazer mil planos, os jantares planejados na mente, a surpresa no meio do dia que ainda não veio. As fantasias pré-sono, a insônia que gera fantasia, o dia que nos coloca em situações que nos levam às fantasias.

Bem aventurados os que não sentem os nãos, as falhas das investidas, as falhas do amor. Os que não sentem a vontade de fazer tudo ser perfeito, de calcular os ângulos do beijo enquanto lava a louça pós-jantar, de rir de uma piada tola ou até mesmo uma interna. Bem aventurados os que em meio a tantos não se sentem sós.

Bem aventurados os que não querem ter pra si um coração, que não querem entrelaçar mãos às suas e apresentar aos amigos próximos o motivo do sorriso no peito.

Oh, quão bem aventurados os que não carecem de amor? Os que se esquecem da doçura do sentimento e da amargura que o mesmo pode trazer. Os que o vivem quando podem, não quando acontece do nada.

Ah, quão bem aventurados os que não sentem, não amam, não almejam corações, não querem você como eu quero.

Bem aventurado o que não escreve, mas que te diz, que te demonstra, que te ama em reciprocidade. Bem aventurado é o seu cúmplice e eu sentenciado às palavras, à luz desse céu imenso que me faz menor ainda, mas você me engrandece quando fantasio.

Bem aventurados os que te sentem de verdade. Porque não eu?