Sequestro.

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E se tomamos caminhos opostos? Talvez.

Perdoa a pressa amada minha, perdoa a voracidade com que as coisas acontecem e a forma como eu desfecho uma história que nem está no começo. Perdoa meu anseio por tal afeto. Perdoa o amásio que sequer tem muros protegendo-o, perdoa o meu furor, o meu exagero, o meu amor.

Que sejam dourados nossos dias emparedados, que não nos percamos em meio a tantos labirintos, haverá sempre minha luz para iluminar teus passos. Não teus olhos. Que graça teria tê-la por completo? Há de notar que o interessante nas pessoas é isso: a gente sempre saber que há um pouquinho a ser conquistado, um pouquinho hoje, um pouquinho amanhã, outro depois e de pouquinho em pouquinho a gente nunca faz um inteiro. O mundo é metamorfósico, as pessoas então…

Desculpa se dessa vez eu fui víbora ao encarar teu olhar, ao dar o bote naquilo que sequer pertencia-me. Desculpa amada minha, não pode ser. Tomo partido antes que a maré venha forte demais, antes que você arraste pra dentro de si com teus olhos de ressaca tudo o que eu de fato construí. Não destrua os meus castelos de areia, mostre-me onde ficam as rochas. Precipitei em já ver o final de algo que nunca começou (e nem vai), será que (às vezes) tomar um rumo contrário nas coisas é o jeito certo de se fazer aquilo que é tão errado?

Tenho sim esperança em mim. Muita. Esperança de que, como já afirmei, teus dias sejam dourados, mas não iguais aos meus, porém nem tão fortes ou fracos. Que tenhamos ouro em nós de diferentes jazidas, de diferentes valores, mas que o preço das coisas sejam irrelevantes. Saibamos do valor de cada uma, a vida é gratuita. Saibamos que dessa vez eu botei preço ao meu sentimento, fiz dele mercadoria e parece que em teu poder não há montante o suficiente pra comprá-lo. Deduzi, não conheço teus cofres e nem o fundo de tua alma.

Perdoa meu amor. Perdoa as noites de sono que perdi pensando num futuro, num rumo, num jeito certo de fazer o ‘errado’, o escondido. Perdoa se quis clarear aquilo que na vida tem que ser escuro. De fato, somos reféns dos nossos sentimentos, mas desta vez eu fui sequestrador.

Mas que sequestrador meia-tigela, diriam os enjaulados das prisões, porque há de notar-se que não sequestrei teu peito, teu olhar, tua amizade, não atirei em todos eles para perde-los de uma vez com o medo de não chegar o resgate. Fui sequestrador do meu próprio sentimento, aquilo que era inflação na minha economia sentimental está tornando-se deflação. Hora ou outra recupero novamente os montantes, mas por ora, perdoa amada minha, eu tento a cada dia não lhe amar e não lhe sentir. Sinto-me um vitorioso por conseguir isso por horas seguidas e me perder em raros minutos, acho que fiz-me forte.

Eu te amo, mas nem por isso te sequestro. Você vale, muito, mas por ora? Vivamos.

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