Sonho material.

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Dentre os sonhos tão vazios você tornou-se realidade. A realidade na qual me atenho e não posso me ater. A realidade pura e simples, a materialização, o desejo na forma humana. O meu eu espelhado em carne e osso.

Fez-se em você tudo o que não desejei, parte de mim mesmo. Parte daquilo que sempre repudiei em mim. Fez-se amor, fez-se clamor. E no meio de uma ampla turbulência cá estou eu: optando pelo adeus não dado, pelo abraço sem lágrima, pelo sussurro que não condiz com a realidade, não estamos indo e nunca voltaremos, permanecemos estáticos.

O desejo faz de mim maior que os gigantes que temo, tolo desejo, chulo amásio! Até quando andarei com os pés cravados na terra e ainda assim continuarei no mesmo lugar? Até quando as perguntas serão as mesmas? Não me pergunto mais, apenas procuro resposta, já sei o que a mente indaga e o que aflige o peito. Porque tanto?

Serei refém até os dias em que tomar partido de que olhares não podem me prender, vozes são vozes e pensamentos que não vão ao papel foram descartados até por quem de fato os pensou, bota-se no papel a esperança e o desejo. Boto nas cartas pedaços do meu peito, dividindo a mim mesmo por tantos outros pra que quem sabe floresça em um destes pedaços os sonhos que tanto almejei. Que louca a escrita, que louca a vida, que loucos os sentimentos.

O mundo está girando e eu estou pensando em amar? Estou querendo carinho, afeto, compreensão e abraço enquanto tantos pedem por alimento? Estou sendo egoísta, sou eu a parte de mim que mais temo e ainda não lido com ela como se lida com leões. Nossas feras estão dentro do nosso peito e a gente nunca reconhece isso, dói ter que assumir que a sua posição é errônea.

Dói ver que os sonhos materializados…sãos conglomerados de átomos que não nos pertencem. A gente é pequeno demais pra se materializar, vamos nos expandir.

Sequestro.

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E se tomamos caminhos opostos? Talvez.

Perdoa a pressa amada minha, perdoa a voracidade com que as coisas acontecem e a forma como eu desfecho uma história que nem está no começo. Perdoa meu anseio por tal afeto. Perdoa o amásio que sequer tem muros protegendo-o, perdoa o meu furor, o meu exagero, o meu amor.

Que sejam dourados nossos dias emparedados, que não nos percamos em meio a tantos labirintos, haverá sempre minha luz para iluminar teus passos. Não teus olhos. Que graça teria tê-la por completo? Há de notar que o interessante nas pessoas é isso: a gente sempre saber que há um pouquinho a ser conquistado, um pouquinho hoje, um pouquinho amanhã, outro depois e de pouquinho em pouquinho a gente nunca faz um inteiro. O mundo é metamorfósico, as pessoas então…

Desculpa se dessa vez eu fui víbora ao encarar teu olhar, ao dar o bote naquilo que sequer pertencia-me. Desculpa amada minha, não pode ser. Tomo partido antes que a maré venha forte demais, antes que você arraste pra dentro de si com teus olhos de ressaca tudo o que eu de fato construí. Não destrua os meus castelos de areia, mostre-me onde ficam as rochas. Precipitei em já ver o final de algo que nunca começou (e nem vai), será que (às vezes) tomar um rumo contrário nas coisas é o jeito certo de se fazer aquilo que é tão errado?

Tenho sim esperança em mim. Muita. Esperança de que, como já afirmei, teus dias sejam dourados, mas não iguais aos meus, porém nem tão fortes ou fracos. Que tenhamos ouro em nós de diferentes jazidas, de diferentes valores, mas que o preço das coisas sejam irrelevantes. Saibamos do valor de cada uma, a vida é gratuita. Saibamos que dessa vez eu botei preço ao meu sentimento, fiz dele mercadoria e parece que em teu poder não há montante o suficiente pra comprá-lo. Deduzi, não conheço teus cofres e nem o fundo de tua alma.

Perdoa meu amor. Perdoa as noites de sono que perdi pensando num futuro, num rumo, num jeito certo de fazer o ‘errado’, o escondido. Perdoa se quis clarear aquilo que na vida tem que ser escuro. De fato, somos reféns dos nossos sentimentos, mas desta vez eu fui sequestrador.

Mas que sequestrador meia-tigela, diriam os enjaulados das prisões, porque há de notar-se que não sequestrei teu peito, teu olhar, tua amizade, não atirei em todos eles para perde-los de uma vez com o medo de não chegar o resgate. Fui sequestrador do meu próprio sentimento, aquilo que era inflação na minha economia sentimental está tornando-se deflação. Hora ou outra recupero novamente os montantes, mas por ora, perdoa amada minha, eu tento a cada dia não lhe amar e não lhe sentir. Sinto-me um vitorioso por conseguir isso por horas seguidas e me perder em raros minutos, acho que fiz-me forte.

Eu te amo, mas nem por isso te sequestro. Você vale, muito, mas por ora? Vivamos.

Façamos.

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Há um parâmetro que divide o que de fato eu quero do que de fato eu preciso.

Eu quero um mundo, mas eu preciso apenas de uns bons metros dele. Kilômetros quem sabe, tudo que exagera ao que é necessário torna-se peso e não roldana.

Talvez o que de fato defina o meu querer não é encontrado aqui neste momento, neste lugar, neste ano. Faço planos pra daqui dez, vinte anos, viverei o próximo? É querer ter ruga demais preocupar-se com o que nem se sabe o que é. E aí eu me deparo com vários questionamentos próprios, feito da razão pro coração: É o que eu quero? O que preciso? O que me faz feliz?

É bobeira alimentar as nossas víboras com tanta dúvida, se já se pergunta isso é porque certamente não estamos seguindo a rota certa. Não há dúvidas quando se faz o correto, teme-se sim o que pode dar errado porque o certo já está sendo feito. Acho que tenho sido um pouco isso: se há pergunta, há incerteza. E eu sou das exclamações, não das interrogações!

É como se eu notasse por mim mesmo que meu romantismo é a minha solidão e logo amadureço, percebo que junto das minhas pétalas estarão todos os meus espinhos e se por ventura houver pétalas demais, uma cai e se fere. Ninguém está preparado para lidar com os nossos espinhos, nem nós mesmo, porque eu exijo tanto de alguém que nem se materializou?

O querer revolucionar o mundo tem sido maior do que qualquer coisa, e de fato admiro os que conseguem, é sinal de que se auto-revolucionaram e expandiram o desejo. Eu quero fazer parte desses. Tento, a cada dia. Mas dói demais deixar um sonho pra trás, um desejo, uma vontade tão infantil, mas se de fato é preciso fazê-lo: façamos. Deixemos de lado as frivolidades da vida que nós mesmos inventamos.

Se a hora é de fazer história, se o desejo é de revolução: que não fiquemos fazendo nada. O nosso fracasso é só nosso, o sucesso também. Façamos.

”a vida nos envolve tanto que o tempo passa sem fazer ruído”

Bordoada!

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Bordoada da vida na cara!

A gente acha que tudo tenderá ao péssimo todo dia, toda hora e a todo momento. Aliás, eu poderia estar imaginando que neste momento um raio poderia cair em cima da minha casa e queimar meu computador, ficaria sem esse post e sem os cabelos. Mas mais do que isso, coisinhas do dia a dia que a gente não percebe. Por exemplo, troquei de terapeuta. Não definitivamente porque hoje foi a primeira sessão, mas troquei e paft na cara: era necessário e percebi depois de tempos.

E acho que junto dessa mudança estão vindo tantas outras, achei que minha vida tenderia ao marasmo e eu morreria antes do vinte e um de dezembro. Hoje saí da terapia e antes que pudesse ir tomar um café com minha mãe, fui até a secretaria da faculdade pra qual prestei vestibular ontem e vi meu nome lá, entre cento e oitenta famintos por uma mudança eu estava lá, no décimo segundo lugar. Estava lá como fruto de um trabalho nem tão bem feito, posto que levei o cursinho às coxas, (ainda levo), mas de certa forma nunca foi plano de vida fazer direito. Tornou-se esse ano. Imagina, eu todo transgressor trabalhando com leis…hm, leis não, farei pra lecionar, pra lidar com alunos e almas tão em apuros quanto a minha. Com tantos fdps parecidos comigo agora. Enfim.

Ainda tenho muitas provas pela frente, porque nessa vida ninguém passa sorrindo, mas irei com o peito livre: há uma luz no fim do túnel, essa é certeira! Talvez essa aprovação represente o fim de tanta reprovação de mim pra mim mesmo. Chegou a hora de aprovar. Aprovar um horário pra endocrinologia, outro pro dermatologista, um encaixe num dentista, um terapeuta novo, um horário cabível numa academia, uma festa na qual eu me encaixe, pessoas que sejam alicerce também, não apenas escoras. Acho que as promessas do começo do ano estão se antecipando, e daí? Quem define meu ano sou eu!

Fulano não teve a reação que eu teria? Não fez o que pedi? Há complô dentro desta casa? Estão falando etcss e tais coisas sobre a minha pessoa? Por favor, me convida porque quero saber onde falhei no plano: da minha vida eu é quem presto contas. Eu quero dias cheios de tudo, de pessoas, de olhares vagos, desesperados, quero angústia que termina em horas, quero filme romântico, quero pé colado no pé, quero ouvir voz sussurrada e grito de espanto.

Eu quero viver mais, muito além do que eu programei. Eu quero dar e receber muitas bordoadas, afinal:  eu sou senhor de mim mesmo, só não me formei nessa matéria ainda!

E se? E se? E se?

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Porque a sinceridade é tão temida? A gente se veste de coragem pra usá-la como a melhor arma, ter nela um norte e visar a partir dali um horizonte que nós imaginamos, mas a gente se esquece: dentro de nós há o temor. Sempre há. O temor de que nossa palavras ricocheteiem e voltem, de que de tão sinceras voltem ecoando mais verdade. A gente é sincero, mas é cagão também.

Às vezes a gente se priva de um sofrimento diário e sente falta, sente porque temos em nós um sentimento masoquista, uma vontade mínima de sofrer e usar desse sofrimento pra mover os nossos motores, pra andar firmemente pé a pé e não cair e caso os joelhos falhem: a gente se apoia nas paredes. É bobeira acreditar que sempre vai ter alguém do lado, na frente ou atrás talvez. A gente se priva de um sofrimento por um tempo delimitado pelo destino, a gente acha que vai ser infinita a privação e que enfim conseguiremos ter a tão sonhada liberdade pra ser feliz, erro pífio de quem se acha muito dono de si mesmo. Erro meu, erro meu.

E é se privando tanto de tudo que a gente sente falta sem saber que está sentindo, só sabe quando a gente se depara com aquilo que a gente luta pra renegar mas não consegue. Quão covardes nós somos? Quão cruéis somos com a gente mesmo? Eu teria zilhões de razões pra não sentir, não amar todo mundo, não sofrer. Mas parece que essas zilhões são tão ínfimas perto de um único motivo que às vezes faz sorrir, faz amar, faz sofrer.

Eu me lembro das cenas da infância: a mãe vai dar uma mamadeira pra uma criança faminta que está no colo da visita. A criança chora por aquilo que quer, mas ainda não tem força pra sair andando e buscar o seu leite, o que ela faz é acompanhar com o olhar até que a mãe, toda em amor, lhe dá aquilo que almeja. Quão bebê tenho sido? Vou ficar acompanhando tudo com o olhar e esperar que uma mãe me entregue de mão beijada aquilo que eu quero? As crianças também crescem, mas nunca param de chorar por aquilo que desejam. Ainda choro, mas preciso crescer.

Me machuca muito a inutilidade que a gente pode ter. O tempo que a gente perde dormindo ou não fazendo nada, porque não podemos preencher as 24h do dia? Quem disse que é obrigatório dormir à noite e viver durante o dia, e se eu quiser fazer ao contrário? O shopping vai estar aberto, a farmácia vai entregar os remédios e no mercado vai haver alimento à disposição do meu dinheiro? Mas é claro que não, errado e fdp sou eu, os outros sempre estão certos.

‘Vai Carlos! Ser gauche na vida.’

E se? E se? E se? E se eu parasse com as incertezas, me despedisse das dúvidas e fosse em busca da minha parada certa? E se a lua respondesse minhas perguntas e as estrelas dessem uma rumada em meus passos, eu teria coragem de ir? E se eu não temesse a sinceridade das respostas que não chegam?

O primeiro deles.

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O fdp está em apuros? Perdoa mãe, não é minha intenção lhe ofender. Estão em apuros os meus sentimentos, a minha vida, os meus anseios e a fome pelo que é novo. Novo como este blog.

Titubeei em criá-lo, como haveria tempo pra isso se desejo ter ‘uma vida cheia de tudo’ em breve? Talvez fosse necessária outra válvula de escape, talvez no tumblr, (depois de postar muito), eu não tenha encontrado essa ‘coisa’ que o blog tem, seja ele blogspot ou agora wordpress. Optei por aqui pra fazer jus ao nome, quem é fã sabe do que estou falando, sabe que Lucas Silveira foi atrás do paradeiro do ‘romance em apuros’, e ele talvez não tenha encontrado. Ou tenha. Já eu? Estou na busca de uma parada.

Uma parada em qualquer sentido, seja a parada-gíria: alguma coisa palpável, algo que preenche os dedos ou que cura a alma. Seja uma parada-logradouro, um posto de gasolina pra uma informação, uma pousada sem chuveiro quente, um restaurante com um tipo de comida, talvez eu esteja atrás dessa parada pra olhar pra trás e ver que é necessário quebrar os retrovisores da alma pra que possamos seguir em frente. Talvez a minha parada seja apenas um sofá, um chocolate quente e um abraço, eu sou fdp, mas também tenho essas carências.

Aliás, fdp somos todos nós, um pouquinho hoje, mais amanhã, talvez quase nada depois, ou sempre em demasia. Sempre fui dos excessos, talvez eu seja fdp em excesso também. Ou talvez eu não compreenda que meu grau de fdputice corresponde ao meu tamanho, ao tamanho dos meus ombros que suportam o mundo e das minhas mãos que seguram grandes fardos. Dói, eu suo e eu choro, mas não reclamo. Porque reclamaria daquilo que eu mesmo me dispus a fazer? Eu devo ser mesmo um grande fdp! E em apuros!

Mas quem não está? Quem não passa por um apuro durante todo o dia? Acho meio complexo a gente querer que as vinte e quatro horas do dia sejam exatamente como a gente quer, é egoísmo e é por isso que abro o peito e vou aos apuros, vou sem medo de errar, vou em busca da minha parada.

O fdp sou eu? Mas você também é, paremos com o egoísmo, é hora de ir em busca de algo muito maior! Hora de deixar o retrovisor na lixeira e não olhar para o que vem atrás tentando atropelar as nossas conquistas, e eu digo nossas porque me sinto mais de um. Tento me diversificar pra não cair na rotina, no norte-comum de querer uma coisa só, saber fazer uma coisa só, ser uma coisa só. Eu quero é ser vários, eu quero é ser muitos em milhões, eu quero é que mesmo que tudo o que faça ou toque não seja excelente, seja bom o suficiente, seja plausível de elogio ou admiração. Eu quero é parar de ser um só, de ser apenas um fdp, que eu seja vários e encontre vários caminhos, várias pessoas, vários meios e erre muito, pra que eu aprenda: a gente tem que abaixar a cabeça, a gente tem que se calar e depois de tudo feito não há como se arrepender. Arrependimento é para os fracos, eu quero ser corajoso.

Eu quero ser o grande fdp da história, eu quero ir atrás do mundo todo e chegar na frente de todos, eu quero ser o primeiro deles. Eu quero ser o fdp em apuros que encontrou a sua parada.